São Paulo / SP - segunda-feira, 06 de dezembro de 2021

Transtornos do Espectro Autista

Transtornos do Espectro Autista


A definição do Autismo teve início na primeira descrição dada por Leo Kanner, em 1943, no artigo intitulado: Distúrbios Autísticos do Contato Afetivo (Autistic disturbances of affective contact), na revista Nervous Children, número 2, páginas 217-250. Nessa primeira publicação, Kanner (1943) ressalta que o sintoma fundamental, “o isolamento autístico”,  estava presente na criança desde o início da vida sugerindo que se tratava então de um  distúrbio inato, exemplificando crianças que tinham em comum um  isolamento extremo desde o início da vida e um anseio obsessivo pela preservação da rotina, denominando-as de "autistas" (Marinho, Merckle, 2009).

Autismo é um transtorno invasivo do desenvolvimento caracterizado  pela presença significativa de anormalidade ou prejuízo do desenvolvimento na relação social, comunicação (incluindo compreensão de linguagem  e linguagem falada) e um significativo repertório restrito de comportamento, atividades e interesses, além de comportamento estereotipado e ritualizado, comprometido que se manifesta antes da idade dos 3 anos. Outras características a serem observadas em tenra idade são os desvios ou atrasos na aquisição de funções psicológicas cruciais para o desenvolvimento

A etiologia é multifatorial, ou seja, não há uma única causa que determine o autismo. Há muitas controvésias a respeito das causas genéticas e suas interacões ambientais. No entanto, é sabido que o transtorno do espectro autista é uma condição muito heterogênea, de difícil diagnóstico que, quanto mais precocemente for feito, melhor será a evolução da criança.

O principal fator que determina a diversidade na variação  da apresentação da criança portadora de espectro autista é o nível de funcionamento cognitivo e a habilidade de linguagem. Existe uma significativa diferença entre uma pessoa com prejuízo intelectual severo e autismo que é incapaz de falar também possui graves estereotipias motoras e auto-mutilações e uma pessoa com altíssimas habilidades de engenharia computacional com Síndrome de Asperger ou com autismo de alto funcionamento que se destaca em uma específica área com preocupações obsessivas e excessivas, como por exemplo, o vasto conhecimento por constelação de planetas, estrelas, dinossauros, carros ou linhas de metrô.

A classificação internacional das doenças (CID) e o  DSM (Disorders Statistics Manual) buscam por atualizações nestas classificações a fim de abranger os casos de autismo não classificados dentro das normatizações atuais. Por isso, a maior abrangência destas características em “Transtornos do Espectro Autista”.

O profissional que realiza o diagnóstico de transtorno do espectro autista é o psiquiatra da Infância e adolescência, embora também receba pacientes já diagnosticados por pediatras e neuropediatras, mais comumente. É comum as crianças serem encaminhadas para avaliação por médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, psicopedagogos, pedagogos, entre outros profissionais.

 

 

American Psychiatry Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. Fourth edition. APA, Washington

Marinho, E.A.R., Merckle, V.L.B. Um Olhar sobre o autismo e sua especificacão. IN: IX Congresso Nacional de Educação. II Encontro Sul Brasileiro de Psicopedagogia, 2009. PUCPR.

Rutter M.l. Child and adolescent psychiatry. Oxford: Blackwell Publishing; 2008