São Paulo / SP - segunda-feira, 06 de dezembro de 2021

Psicoterapia para adolescentes no tratamento da dependência química

              As psicoterapias são formas de tratamento que utilizam a comunicação e o relacionamento sistematizado entre o terapeuta e o paciente ou mais pacientes, no caso da terapia de casal, familiar e de grupo. O objetivo da psicoterapia, de uma maneira geral, é fazer com que o paciente consiga identificar, entender e dar sentidos aos seus conflitos, corrigir as distorções que ele tem nas percepções de si mesmo e dos outros e do meio que o cerca, e também melhorar as relações interpessoais desse paciente.1

       Trata-se de métodos de tratamento para problemas de natureza emocional, nos quais uma pessoa treinada, mediante a utilização dos meios psicológicos, estabelece, deliberadamente uma relação profissional com a pessoa que busca ajuda, visando remover ou modificar sintomas existentes, retardar seu aparecimento, corrigir padrões disfuncionais de ralações interpessoais, bem como promover o crescimento e desenvolvimento da personalidade (Wolberg, 1988).2

      Na dependência química, inúmeros fatores podem estar envolvidos no processo da doença: predisposição genética, vulnerabilidade social, comportamentos aprendidos distorcidos, falhas precoces na formação de vínculos e prejuízos  psíquicos constitucionais que perduram e facilitam a manutenção do transtorno mental.

       O atendimento individual visa á oportunidade de uma relação que possa promover mudanças a partir da reflexão sobre si mesmo e sobre como os eventos da vida afetam o indivíduo, bem como sua reação aos mesmos. Uma série de estudos metodologicamente  bem conduzidos  atesta a efetividade da terapia cognitivo-comportamental no tratamento da dependência química em adolescentes. (...) As intervenções envolvem a identificação de alguns fatores, internos ou externos ao sujeito, como ambiente, horário e humor, que desencadeiam o uso de drogas.3

       Um conceito importante referente á terapia cognitiva é o de pensamentos e crenças  (cognições) desenvolvidas pelo paciente, que são supervalorizadas e distorcidas, rígidas e que pouco se modificam com as experiências, exceto em casos de intervenções terapêuticas. Na terapia, serão analisados os pensamentos automáticos, a testagem de evidências e as verificações dos sentimentos, de acordo com as cognições.

           Considerando a urgência de resultados no tratamento da dependência química de adolescentes, a TCC é a forma mais indicada pois, a plasticidade cerebral do adolescente está muito vulnerável e os prejuízos cognitivos mantidos pelo uso de substâncias psicoativas pode ser irrecuperável. No entanto, todas as formas de psicoterapia individual podem ser úteis, uma vez em que o setting terapêutico proporciona um ambiente singular no qual o paciente pode refletir, com a ajuda do terapeuta sobre como conduz a sua vida e as relações que estabelece com a substância psicoativa.

as relações que estabelece com a substância psicoativa.

           Não havendo risco muito significativo referente ao uso de substâncias, a psicoterapia individual de base winnicottiana pode ser utilizada, com enfoque sobre o indivíduo, uma vez que busca a reconstituição da ruptura causada por alguma falha e  a devolução da continuidade do amadurecimento e crescimento emocional que estava paralisado.

           A consulta terapêutica buscará oferecer um lugar, um momento e uma compreensão humana a fim de fazer surgir a problemática do paciente aliciada pelo movimento do analista para o estabelecimento da comunicação no setting terapêutico. O analista encontra-se no papel de objeto subjetivo e este é necessário para que a transferência e contratransferência aconteçam. O vinculo precisa ser estabelecido para gerar confiabilidade nesta relação e desta, forma o adolescente  se sentirá “cuidado” como fora (ou não) por sua mãe (ou outro cuidador) como nos primeiros meses de vida. O fato de estabelecer-se este elo de comunicação, às vezes até silenciosa, com o paciente, estará favorecendo o surgimento do espaço potencial construído nesta relação entre paciente e analista, afinal o objetivo desta relação é conhecer um ao outro e propiciar a reflexão das situações trazidas ou das observações do próprio setting.

Assim, o atendimento individual picoterápico propocia um espaço terapêutico valioso no tratamento da dependência química, garantindo um olhar mais próximo, que colabora com o tratamento interdisciplinar e fornece continência estrutural e psíquica para paciente.

 

Bibliografia:

 

1- Feijó, M. Psicoterapia Interpessoal. PEC. ABP. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro, 2008.

2- Cordioli, A.V. Psicoterapias. Terapia de família. Cap 14. Artmed. 2d. Porto Alegre, 1998.

3- Pinsky,I. Bessa, M. Adolescência e Drogas. Terapia Familiar Sistêmica. Cap IV. Editora Contexto. São Paulo, 2004.

4-Crepaldi, V. Consultas Terapêuticas Winnicottianas: da Teoria à Prática no Setting Analítico. Disponível em: http://www.redepsi.com.br/portal/modules/smartsection/item.php?itemid=1661