São Paulo / SP - segunda-feira, 06 de dezembro de 2021

Psicoeducação na DQ

Vários ensaios clínicos aleatorizados demonstraram, recentemente, a eficácia de intervenções psicológicas - a saber: a identificação de sinais prodrômicos, terapia cognitivo-comportamental, psicoeducação e intervenções focadas na família - como um acréscimo profilático à medicação. A psicoeducação deve conter informações gerais sobre a doença, elementos para a aumentar a adesão ao tratamento, ensinar o reconhecimento rápido de recaídas e questões sobre a regularidade do modo de vida. Todas as intervenções psicológicas testadas com sucesso devem conter elementos psicoeducativos clássicos, tais como melhorar o insight sobre a doença, lidar com a estigmatização, melhorar a adesão ao tratamento, ensinar o paciente e a família a identificar os sinais prodrômicos precoces, promover hábitos saudáveis e a regularidade no estilo de vida e evitar o abuso de substâncias.1

A falta de informação é um fator que dificulta o tratamento de diversos transtornos mentais, inclusive daqueles relacionados ao abuso de substâncias psicoativas. Muitos comportamentos indicadores de crises poderiam ser identificados e melhor conduzidos a partir do domínio da informação sobre a doença sua evolução. É muito comum, na clínica, a ocorrência de relatos como a agressividade e impaciência durante um período inicial de abstinência, bem como motivadas pela fissura pelas substâncias, a hipervigilância dos pais, no início de tratamento, perdendo completamente a confiança nos adolescentes e interpretando qualquer sinal como uso de drogas, quando poderiam ser de qualquer outra natureza, bem como as dificuldades na compreensão de prevenção de recaídas tanto da família como dos pacientes.

No ambulatório de tratamento de álcool e drogas para crianças e adolescentes desta referência, houve recusa da equipe em estruturar o grupo psicoeducativo para os adolescentes, baseada na experiência anterior de grupo iatrogênico, considerando a especificidade de uma cidade pequena, onde a maioria dos pacientes já se conhecia, inclusive de situações onde compartilhavam o uso e as mães, que imprimiam esforços para afastar as companhias, encontravam-nas no grupo psicoeducativo para tratamento. Houveram diversas queixas parentais de que o contato favorecia as estratégias de manutenção do uso de substâncias. Considerando as dificuldades peculiares aos adolescentes relacionadas ao tratamento em grupo, haverá uma nova discussão sobre quais seriam as indicações para a participação de adolescentes em grupo de psicoeducação. Neste momento, as orientações psicoeducativas são abordadas em consultas individuais, onde são abordados os temas:

1-    Como agem as substâncias psicoativas  (tabaco, álcool, maconha, cocaína, inalantes, anfetaminas, psicotrópicos) no cérebro? Por que o adolescente é mais vulnerável?

2-    Identificando fissura e abstinência.

3-    Prejuízos cognitivos produzidos pelas substância psicoativas.

4-    Valorização da vida sem o uso de substâncias.

5-    Conceito de dependência química.

6-    Tratamento da dependência química. Comprometimento do paciente, da família e dos profissionais.

7-    Prevenção de recaída.

8-    Manutenção do tratamento.

Os grupos de pais aconteciam ás 12h e havia uma escassez de presença. Alguns pais sugeriram que o horário fosse mudado para ás 11h, o que melhorou sutilmente a freqüência familiar. Assim, pensando em oferecer maiores possibilidades de aderência ao tratamento, dentro das possibilidades de condições do serviço, a equipe realizou uma proposta de grupos psicoeducativos estruturados, em 08 módulos e realizou uma pesquisa com todos os familiares envolvidos no tratamento, oferecendo 03 possibilidades de horários: 7h, 12h e 18h, considerando que a maioria dos familiares possui vinculo empregatício em horário comercial.

A maioria dos pais escolheu o horário das 18h, que seria o horário possível após o trabalho, sendo a equipe precisou de reorganização de horário para a cobertura de profissionais até ás 19h, quando fecha a unidade de atendimento. Houve um retorno positivo da famílias quanto á proposta oferecida, bem como interesse no oferecimento de um programa estruturado de informações que auxiliarão no tratamento. O primeiro módulo terá início a partir de agosto de 2010, abordando os seguintes temas:

1-    Como agem as substâncias psicoativas  (tabaco, álcool, maconha, cocaína, inalantes, anfetaminas, psicotrópicos) no cérebro? Por que o adolescente é mais vulnerável?

2-    Identificando fissura e abstinências.

3-    Prejuízos cognitivos produzidos pelas substância psicoativas.

4-    Valorização da vida sem o uso de substâncias. Importância da escola e outras atividades prazerosas.

5-    Conceito de dependência química.

6-    Tratamento da dependência química. Comprometimento do paciente, da família e dos profissionais.

7-    Prevenção de recaídas e manutenção do tratamento.

8-    Co-dependência e controle parental.

Acredita-se que o trabalho psicoeducativo seja mais um valioso recurso disponibilizado para viabilizar o enfrentamento de problemas e busca de mecanismos de soluções, a partir de informação proveniente de fonte confiável baseada em pesquisa científica.

 

 

 

Referência:

Colom, F., Vieta, E. Melhorando o desfecho do transtorno bipolar usando estratégias não-farmacológicas: o papel da psicoeducação. Revista Brasileira de Psiquiatria. vol 26 suppl 3. São Paulo Oct, 2004.