São Paulo / SP - segunda-feira, 06 de dezembro de 2021

DISTIMIA

Distimia


       A distimia é uma doença crônica, não-episódica, de sintomaltologia menos intensa do que as chamadas depressões maiores. Na maioria dos casos, os sintomas aparecem antes dos 25 anos e os prejuízos na vida dos indivíduos é bastante significativo. Podem parecer sarcásticos, nilistas, rabugentos, exigentes, queixosos, irritados e pessimistas. O mau humor e a falta de prazer pelas atividades podem levar ao isolamento social seguido de défcit de atenção, memória e concentração e alterações de apetite e sono.

A distimia foi definida como entidade nosológica a partir de 1980, sendo então considerada um transtorno de humor crônico. A prevalência é de 3 a 6% da população geral, cerca de duas vezes mais comum em mulheres do que em homens.

A etiologia é complexa e multifatorial, envolvendo mecanismos biológicos e psicológicos que afetam o sistema de recompensa cerebral. Eventos de vida estressantes na infância são muito frequentes. Segundo Akiskal, existe uma natureza constitucional do transtorno, evidenciada através da clínica e também de alterações eletoencefalográficas e hormonais presentes no transtorno depressivo maior. A comorbidade com outros transtornos psiquiátricos também é bastante frequente e o mais comum é o transtorno depressivo.

Na infância e adolescência, o diagnóstico é feito de forma semelhante daquela nos adultos. Entretanto, a apresentação pode ser diferente. Irritabilidade que muda de padrão, queda brusca das notas e falta de energia para a realização de atividades rotineiras podem ser importantes indícios. Os maiores prejuízos são aqueles relacionados ao impedimento do desenvolvimento saudável, depressão maior associada e suicídio. Após um crescimento marcante, as taxas se suicídio juvenil têm declinado desde 1990, possivelmente devido á melhora da detecção e da intervenção na depressão.

O tratamento precoce viabiliza a possibilidade de menores riscos de morbidade e propociam melhor qualidade de vida. Deve ser realizado através de psicoterapia, antidepressivos e outras intervenções com o objetivo de melhorar a qualidade de vida. As psicoterapias são formas de tratamento que utilizam a comunicação e o relacionamento sistematizado entre o terapeuta e o paciente. O objetivo da psicoterapia, de uma maneira geral, é fazer com que o paciente consiga identificar, entender e dar sentido aos seus conflitos, corrigir as distorções que ele tem nas percepções de si mesmo e dos outros e do meio que o cerca e também melhorar as relações interpessoais desse paciente. A consulta terapêutica buscará oferecer um lugar, um momento e uma compreensão humana a fim de fazer surgir a problemática do paciente aliciada pelo movimento do terapeuta para o estabelecimento da comunicação no setting. Os antidepressivos são medicamentos que melhoram o humor dos distímicos, além de atuarem na prevenção da depressão associada. São seguros, com poucos efeitos colaterais e não causam dependência.

 

Referências:

Akiskal HA; Costa e Silva, AJ; Fances, A; Freeman, HL; Keller, MB; Lapierre, YD et al. Dysthymia in clinical practice. Br J Psychiatry 166: 174-83, 1995.

Moreno, RA;  Moreno DH. A relação entre outros quadros psiquiátricos e distimia. In: Cordás TA; Nardi AE; Moreno RA; Castel S, orgs. Distimia_ do maul humor ao Mal do humor. Porto Alegre: Artes Médcias. P 42-52, 1997.

Spanemberg, L; Juruena, MF. Distimia: características históricas e nosológicas e sua relação com transtorno depressivo maior. Revista de Psiquiatria. RS 26 (3): 300-311, set/dez, 2004.

Stubbe, D. Transtornos depressivos, depressão maior, distimia e depressão SOE,. In: Psiquiatria da Infância e Adolescência. Porto Alegre: Artmed, p.133-125