São Paulo / SP - segunda-feira, 06 de dezembro de 2021

“Não vivo sem o meu Rivotril.”



A Folha de São Paulo publicou em janeiro de 2011 a notícia de que a venda do ansiolítico clonazepam disparou nos últimos quatro anos no Brasil, fazendo do remédio o segundo mais comercializado entre as vendas sob prescrição. Entre 2006 e 2010 houve um um aumento de 36%. O Rivotril domina esse Mercado com a venda de 14 milhões de caixas por ano.

A partir desta notícia, muitos jornalistas me procuraram para falar sobre o assunto na busca por um entendimento desta realidade. A dúvida das pessoas paira sobre quais os motivos que levam a esse aumento desenfreado do consumo de medicamentos benzodiazepínicos e se realmente há indicação médica que justifique esse aumento.

A falta de fiscalização no comércio da medicação, um possível “mercado negro” facilitador de acessibilidade, o baixo custo, a ação eficaz e imediata e a prescrição indiscriminada de médicos de outras especialidades diferentes  da psiquiatria são os principais facilitadores da condição de abuso de benzodiazepínicos. É muito comum pacientes dependentes de Rivotril que começaram seu uso após um luto, término de relacionamento, demissão de emprego ou situacões diversas em que houve um evento estressante mas que não se trata de uma doença. A partir do uso, a dependência física, instala-se após 3 meses, geralmente, e a dependência psíquica instalada necessita de tratamento com reavaliações regulares a fim de promover uma retirada gradual da medicação.

Não há evidência científica que sustente benefício para o uso prolongado e sem acompanhamento médico deste tipo de medicamento, uma vez que os efeitos colaterais são significativos e prejudiciais á saúde.

·      Os benzodiazepínicos são bem indicados no Início de tratamento  de Transtornos do Espectro Ansioso.

·      Em crianças e adolescentes há indicação em raros casos, pelo menor período possível.

·      Em adultos, em fase produtiva, que precisam de suas funções cognitivas preservadas como atenção, concentração e memória, o tratamento também deve ser limitado ao tempo mínimo necessário e a retirada da medicação deve ser efetuada com acompanhamento do psiquiatra.

·  Em idosos, o risco de quedas para dependentes de benzodiazepínicos é alto e comprometedor.

Não poderia deixar de mencionar que, muitas pessoas utilizam medicações conhecidas como “calmantes” e não tem informação sobre o prejuízo que estão causando à própria saúde. No entanto, há pessoas que sabem dos efeitos mas não estão dispostas a promover mudanças em suas vidas para a obtenção de alívio do estresse: disposicão para enfrentar a retirada da medicação, atividade física, regularidade em atividades de lazer, psicoterapia etc.