São Paulo / SP - segunda-feira, 06 de dezembro de 2021

A participação da família no tratamento da dependência química de adolescentes

       A partir do conhecimento da dinâmica da famílias que são atendidas, sabe-se que não se trata apenas de uma dificuldade nos horários oferecidos mas, de uma profunda resistência ao tratamento. A participação da família é de fundamental importância . Melhorar a comunicação é o enfoque principal.1 Além disso, abordar questões como a falta de envolvimento dos pais na vida da criança, a necessidade de regras claras na família, bem como abordar os transtornos por uso de substâncias dos pais que não são tratados. 2

       Um dos melhores dissuadores do abuso de substâncias dos adolescentes é a comunicação aberta em casa. Os pais que confrontam o adolescente ao suspeitarem de uso de substâncias, deixando-o saber que não o aprovam e fornecendo um ambiente seguro onde revelar seu uso e conseguir auxílio para a abstinência, tendem a ter períodos mais breves e menos graves de uso e um melhor prognóstico em longo prazo.2 Por isso, a exigência da presença dos pais é feita, a fim de comprometê-los ao tratamento.

      No entanto, a falta é bastante significativa, embora os problemas devido á comunicação prejudicada persistam. É comum o ataque constante aos adolescentes, reclamações sem outras soluções, pressa para que o tratamento aconteça efetivamente, com abstinência absoluta, incompreensão do ciclo vital do desenvolvimento e cobrança de atitudes como se eles pudessem responder como adultos, modelos de referência deturpados, ausência de limites ao longo da educação e de repente, cobrança dos mesmos como se isso fosse possível. Outro problema que acontece frequentemente é a posição de mães  iniciarem atitude de desistirem de seus filhos, á medida em que não obtêem sucesso no tratamento. Discursam que perderam o controle e não podem mais viver e suportar esta condição, mesmo sendo orientadas sobre suas responsabilidades de genitora e a importância de suas participações na recuperação de seus filhos.

       A sabotagem do tratamento por genitores, consciente ou inconscientemente também ocorre através das faltas ás consultas, ao grupo de famílias, esquecimento para adquirir as medicações, falta de interesse no combate á evasão escolar e busca de outros espaços recomendados como esportes, cursos e lazer mais seguros do que a rua e os ambientes de livre uso de substâncias psicoativas.

       Os profissionais de saúde necessitam compreender a dinâmica de famílias co-dependentes, a fim de ajudá-los a aliviar as principais resistências, facilitar a comunicação e dessa forma, promover o tratamento de crianças e adolescentes.

Bibiografia:

1-Pinsky, I. Bessa, M.A. Adolescência e Drogas. Parte III. Contexto, São Paulo, 2004.

2- Stubbe, D. Psiquiatria da Infância e Adolescência. Cap 18. Artmed. Porto Alegre, 2008